segunda-feira, 30 de novembro de 2009
Joana Antunes sempre o odiara
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
Procura-se o Antídoto
Eu to vivendo duas vidas paralelas. Parece que to com a cabeça em realidades diferentes,sabe?
Eu passo a tarde fazendo um trabalho e simplesmente esqueço de entregar.
Vou até a UFAC a tarde só para arranjar uma declaração e esqueço de pegar.
Sei lá. Meu Deus.O que será?
Gente, eu acho que vou reprovar. Em tudo. Não só na faculdade. Vou reprovar nas pessoas que tanto gosto e admiro, talvez com elas já esteja reprovado. Eu não sei. Simplesmente não sei.
Se alguém souber o remédio, por favor, me avise.
Eu queria viajar, sabe?
Conhecer Kosovo, passar um tempo lá.
Um lugar que sequer é reconhecido pelo Brasil como país (ótimo, quem é que precisa ser reconhecido pelo Brasil para ser independente), a mais nova nação do mundo. Recém-independente.
Lá tá tendo uma revolução cultural, os caras estão atrás de uma identidade própria. Talvez lá eu consiga influenciar as pessoas a viverem com a cabeça em duas realidades diferentes, onde os professores aceitem tudo por e-mail, levando em conta a cabeça atordoada dos alunos. E as pessoas fossem menos preocupadas com os filhos e os horários para descansar.
Além disso, lá é frio e dizem ter o melhor cappuccino do mundo.
Talvez minha temporada lá, seja a solução.
sábado, 31 de outubro de 2009
Poesia
O Tempo
A gente se deu tão bem
Que o tempo sentiu inveja
Ele ficou zangado e decidiu
Que era melhor ser mais veloz
E passar rápido pra mim
Parece que até jantei
Com toda a família e sei
Que seu avô gosta de discutir
E sua avó gosta de ouvir
Você dizer que vai fazer
O tempo engatinhar
Do jeito que eu sempre quis
Se não for devagar
Que ao menos seja eterno assim
Espero o dia que vem
Pra ver se te vejo
E faço o tempo esperar como esperei
A eternidade se passar
Nos meus segundos sem você
Agora eu já nem sei
Se hoje foi anteontem
Eu me perdi lembrando o teu olhar
O meu futuro é esperar
Pelo presente de fazer
O tempo engatinhar
Do jeito que eu sempre quis
Distante é devagar
Perto passa bem depressa assim
Pra mim, pra mim
Se o tempo se abrir talvez
Entenda a razão de ser
De não querer sentar pra discutir
De fazer birra toda vez
Que peço ao tempo pra me ouvir
A gente se deu tão bem
Que o tempo sentiu inveja
Ele ficou zangado e decidiu
Que era melhor ser mais veloz
E passar rápido pra mim
Eu que nunca discuti o amor
Não vejo como me render
Ah! Será que o tempo tem tempo pra amar
ou só me quer tão só?
E então, se tudo passa em branco eu vou pesar
A cor da minha angústia
e no olhar
Saber que o tempo vai ter que esperar
O tempo engatinhar
Do jeito que eu sempre quis
Se não for devagar
Que ao menos seja eterno assim
Movéis Coloniais de Acajú
domingo, 25 de outubro de 2009
E depois de tudo isso passar por nossas cabeças, você iria sorrir, e eu iria morrer de paixão mais uma vez. Então você desceria as escadas para me buscar, pararia alguns segundos ao ter a certeza de que era eu mesmo ali e me abraçaria perdidamente, um gesto tão forte que acordaria algumas luzes vizinhas. Nós subiríamos os degraus sem sentir e cairíamos no chão do nosso desejo, ao fechar a porta do seu esconderijo. O depois não precisaria importar.
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
domingo, 11 de outubro de 2009
sábado, 10 de outubro de 2009
O sobrevivente
Impossível compor um poema a essa altura da evolução da humanidade.
Impossível escrever um poema – uma linha que seja – de verdadeira poesia.
O último trovador morreu em 1914.
Tinha um nome de que ninguém se lembra mais.
Há máquinas terrivelmente complicadas para as necessidades mais simples.
Se quer fumar um charuto aperte um botão.
Paletós abotoam-se por eletricidade.
Amor se faz pelo sem-fio.
Não precisa estômago para digestão.
Um sábio declarou a O Jornal que ainda falta muito para atingirmos um nível razoável de cultura.
Mas até lá, felizmente, estarei morto.
Os homens não melhoram e matam-se como percevejos.
Os percevejos heróicos renascem.
Inabitável, o mundo é cada vez mais habitado.
E se os olhos reaprendessem a chorar seria um segundo dilúvio.
(Desconfio que escrevi um poema.)
Carlos Drummond de Andrade



