segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Eu não tenho minha paz neste momento. Dói-me profundamente saber a que ponto cheguei. Eu te desejei. E você realmente me deu tudo que de melhor podia ter me dado, é tanto que eu não quis te perder por completo. E ainda não quero. Essas palavras agora podem ser de verdade, não precisam carregar suavidade, pois não são para você, são pra min.
Estou com o orgulho, com as mãos, com o rosto, com o coração feridos. Todos. Penso que podia ter mudado tudo, e não ter caído nos seus planos. Mas como me disse uma amiga, eu fiz o que me deu vontade. Sim, fiz. Desde que nos conhecemos, eu fiz o que me pareceu honesto com os recantos do corpo e os prazeres da alma, por isso fui ruim. Eu não pensei em você. Mas eu também não fingi, eu fui verdadeiro, eu fui. Todos os momentos. Mas não peço remissão dos meus erros. Errei por verdade, por desconhecer, e fui feliz com meu orgulho, e sou feliz agora mesmo com o dor de ser enganado.
Eu não te devo mais amor. Qualquer canalhice minha você apagou sendo o pior dos canalhas.
Tenho uma vida linda cheia de amor e de alegria. E podem me julgar as ovelhas santas, por que o meu pastor é diferente. É menos inseguro, menos fraco que os seus. Eu estou aqui clamando minha liberdade. E a sua.

2 comentários:

Rodrigo Mercadante disse...

Pequeno tratado contra mal de amor para escorpianos.
Por Rodrigo Mercadante, conhecido distante, admirador e bisbilhoteiro de vidas alheias.
Para ser lido sem pontuação ao som da chuva fina.
Todo amor é um desvio na rota. É descobrir de Américas ao virar de esquina e cruzar de olhos. Outra rua além da tirania do “Eu sou”. Por isso acolha cada pequeno gozo e tragédia como uma rosa púrpura de éter e ópio. O resto, jogue aos porcos.
Comece por Pablo Neruda,”Cem sonetos de amor e uma só canção desesperada”.
... “Estou triste: mas sempre estou triste.
Venho dos teus braços. Não sei para onde vou.”..
Lei a Caio Fernando Abreu ao som de Ângela Roro cantando 99 vezes “Olhos nos Olhos” de Chico Buarque. “ Quero ver o que você faz, ao sentir que sem você eu passo bem demais”, canção que pode ser substituída por “Ne me quitte pas”, também na voz de Ângela. Depois desça deliciosamente a ladeira das certezas, chegue aos sertanejos e ouça “Eu dormi na praça” enquanto se delicia com uma caixa vagabunda de bombons de licor e lágrimas desbragadas, despudoradas sem culpa e sem vergonha. Vá do vinho à cachaça, de Ofélia a Otelo, de Blanche a Leonardo, se vista de marinheiro com navalha na cintura ou como puta de Cais de porto com rímel borrado, perfume barato e boca do inferno.Saia para caçar vertigens, estivadores e dinheiro fácil. Querrelle, Genet, Neusa Suely. Como o empesteado de Artaud, rasgue dinheiro, cuspa pra cima, invente línguas, jogue pedra em avião.Trepe sem vontade com um certo alguém, e sem olhar seu rosto , perceba o odor envelhcido e ocre da face escura da lua, quando namora a constelação de escorpião.Perversão e vingança.Se pinte de palhaço e se dê em espetáculo,rindo de si mesmo e do otário que não te merece. Invente biografias dos que matam e morrem de amor e derreta todas elas com a saliva cínico- amarronada de Nelson Rodrigues.Percorra cada ponto por onde o amor floriu, pise as rosas, se rosas houver, chore sobre cada pequena pedra semi preciosa, sobre cada banco de madeira, sobre cada migalha de palavra jogada fora.
Implore, despreze, amaldiçoe, pragueje, desista e adormeça onde estiver.
Depois, se tranque três dias e três noites em seu quarto e forge com todos os fluidos de seu corpo os melhores 200 poemas de amor e escárnio de toda a história da literatura e ao final rasgue- os um a um enquanto se olha no espelho.
Ao final, você estará um pouco mais velho e pronto pra virar outra esquina. Pois sempre haverá outras esquinas!

Bjs

Rodrigo Mercadante disse...

Correção ortográfica: Forje... rs