domingo, 28 de agosto de 2011


Água do meu Tietê. Onde me queres levar? - Rio que entras pela terra. E que me afastas do mar...
Estou doente. Doente dos olhos, doente da boca, dos nervos até. Eu quero um punhado de estrelas maduras, eu quero a doçura do verbo viver. O Sol entrado. Seu olhar é cantiga antiga no meu ouvido. O sol de tua boca. E o dia não tem minuto que estar contigo não queira. Se interesse por mim e pergunte o que eu sei...me dê aquilo que eu  não tenho há quase um ano: carinho. De um jeito que eu não sei dizer como é,mas há  por aí; ou pelo menos já houve. Cavalo solto a passear no coração de quem ama. Vai-te Ignácio, mas morre também o mar. Garoa do meu São Paulo – timbre triste de martírios – um negro vem vindo, é branco! Só bem perto fica negro, passa e torna a ficar branco. Meu São Paulo da Garoa – Londres de neblinas trsiste – Garoa do Meu São Paulo – Costureira de Malditos. A poesia é para comer. 

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Não devolva o Neruda...

Quero apenas cinco coisas...
Primeiro é o amor sem fim 

A segunda é ver o outono 
A terceira é o grave inverno 
Em quarto lugar o verão 

A quinta coisa são teus olhos 
Não quero dormir sem teus olhos. 
Não quero ser... sem que me olhes. 
Abro mão da primavera para que continues me olhando.
Pablo Neruda


é nosso, entendido?

domingo, 10 de julho de 2011

Abyss




There are places and people like abyss in front of me. I want to jump but there is a foot stuck. Is it to have, they say. I hope...

quarta-feira, 29 de junho de 2011


Nós acrobatas...

Os Acrobatas

Subamos!
Subamos acima
Subamos além, subamos
Acima do além, subamos!
Com a posse física dos braços
Inelutavelmente galgaremos
O grande mar de estrelas
Através de milênios de luz.

Subamos!
Como dois atletas
O rosto petrificado
No pálido sorriso do esforço
Subamos acima
Com a posse física dos braços
E os músculos desmesurados
Na calma convulsa da ascensão.

Oh, acima
Mais longe que tudo
Além, mais longe que acima do além!
Como dois acrobatas
Subamos, lentíssimos
Lá onde o infinito
De tão infinito
Nem mais nome tem
Subamos!

Tensos
Pela corda luminosa
Que pende invisível
E cujos nós são astros
Queimando nas mãos
Subamos à tona
Do grande mar de estrelas
Onde dorme a noite
Subamos!

Tu e eu, herméticos
As nádegas duras
A carótida nodosa
Na fibra do pescoço
Os pés agudos em ponta.

Como no espasmo.

E quando
Lá, acima
Além, mais longe que acima do além
Adiante do véu de Betelgeuse
Depois do país de Altair
Sobre o cérebro de Deus

Num último impulso
Libertados do espírito
Despojados da carne
Nós nos possuiremos.

E morreremos
Morreremos alto, imensamente
IMENSAMENTE ALTO.

Vinícius de Moraes

Ao amigo que me fez lembrar de subir alto e a quem, agora, eu ofereço.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Documentário sobre o cineasta Marcos Jorge

Se existe uma promessa para o cinema nacional, sem dúvida, Marcos Jorge é uma delas. Seu primeiro longa lançado em 2007 representa muito de sua linguagem e revela por que ele figura no patamar das apostas brasileiras para as artes.

Estômago é um longa-metragem que conta a história de Alecrim, um imigrante nordestino que vai para São Paulo. Lá, (ou aqui, sei lá) ele começa a trabalhar na cozinha de um boteco. Inesperadamente, as coxinhas feitas por ele tornam-se sucesso. Logo depois, ele é contratado para um restaurante italiano. Só que a história não se basta nisso. Paralelo a descoberta do talento culinário de Alecrim, o público também descobre um Alecrim encarcerado que literalmente pega as pessoas pelo estômago. Revelando um  jogo de poder na prisão que é estabelecido - no caso dessa personagem - pela comida.

Entre o Alecrim do restaurante e o da prisão, a diferença e as semelhanças vão aparecendo no decorrer da história.  Não é preciso nem dizer que o êxtase do filme é o momento em que se descobre o que liga os  dois momentos da vida do protagonista.  Existe um ar quase Almodóvar nas cores fortes e nas personagens surpreendentemente humanas.

Ok. Paro por aqui. Não é só por Estômago que escolhemos Marcos Jorge para ser o objeto central das nossas lentes documentais. Existe nele e na sua história uma fórmula verdadeira de artista. Uma inquietação e uma vontade que nos contagiou e transformou esse projeto no nosso objetivo durante alguns meses. O produto final não é tudo que queríamos dizer, mas serve como piloto das nossas ideias e linguagens.

Assistam, não sem antes ligar o botão da crítica  e soltar tudo em comentários depois.